* Manifesto dos estudantes indígenas da UFBA
Você
sabia que têm índios pataxó, pankaruré e Xucuru-Kariri nesta universidade?
Pois fique sabendo que sim!! E todos estão espalhados por diversas áreas do conhecimento: Artes, saúde, ciências humanas e educação; mesmo depois de mais de cinco séculos de exploração, assassinatos e tentativas de extinção. Talvez você não tenha percebido, porque não somos como o índio retratado na Carta de Caminha ou nas pinturas do período colonial.
Pois fique sabendo que sim!! E todos estão espalhados por diversas áreas do conhecimento: Artes, saúde, ciências humanas e educação; mesmo depois de mais de cinco séculos de exploração, assassinatos e tentativas de extinção. Talvez você não tenha percebido, porque não somos como o índio retratado na Carta de Caminha ou nas pinturas do período colonial.
A inserção na universidade se constitui hoje como um novo lugar para que nós, povos indígenas, lutemos pela valorização da nossa cultura e do nosso modo de vida, e da nossa sobrevivência enquanto povos diferenciados. Assim, podemos demonstrar que não estamos fadados a desaparecer e que estamos dispostos a lutar pela nossa sobrevivência física e cultural. Por isso, acreditamos que o protagonismo indígena deve ser adotado enquanto ideologia e prática na tomada de decisões que nos afetam, direta ou indiretamente. Desse modo, a participação ampliada dos índios nas esferas de exercício do poder é fundamental.
Por isso entendemos a importância de inserir o debate político sobre as questões indígenas dentro dos espaços da Universidade. Percebemos que a comunidade universitária ignora a realidade e luta dos povos indígenas. Mas não saímos das nossas aldeias para enfrentar esse mundo acadêmico em vão!!! Se a universidade não está preparada para nos receber, nós vamos prepará-la. Não queremos ser apenas “objeto de pesquisa” de uma ciência que nos exclui enquanto sujeitos históricos e produtores de conhecimento. À universidade se atribui um grande potencial de transformação da sociedade e esta deve começar por renovar a si mesma. Entendemos que este deve ser um espaço não apenas que represente a diversidade no discurso, mas que seja efetivamente construído por ela.
Por isso, acreditamos que democratizar é garantir que diferentes concepções e opiniões interajam para construir um ambiente de diálogo e de verdadeiro respeito às diferenças. Um lugar tão importante como a Universidade, será muito mais rico e possível se os sujeitos que constroem esse espaço representarem a própria diversidade das sociedades.
Nós, índios das etnias pataxó, pankaruré e Xucuru-Kariri, não queremos ser considerados apenas pelo que fomos, por nossas perdas. Nós queremos ser entendidos e respeitados como parte de um processo mais amplo de reelaboração sócio-cultural que nos faz ser o que somos hoje: povos que se diferenciam em vários aspectos, mas que se unem na luta pela manutenção de nossas identidades indígenas, pelo respeito à diversidade étnica, e mesmo pelo direito a existir.
QUEREMOS mostrar quem somos e o que queremos dentro desta
universidade.
QUEREMOS fazer HISTÓRIA, engenharia, química, psicologia,
economia...
QUEREMOS uma ciência que não nos oprima, mas que nos
respeite e valorize.
QUEREMOS manter um dialogo horizontal com a universidade.
QUEREMOS abrir a universidade para as comunidades
indígenas.
QUEREMOS assistência estudantil que garanta a permanência
dos estudantes que vêem das aldeias, assegurando moradia, transporte,
alimentação, material didático.
QUEREMOS pesquisa e extensão diferenciada e voltada para
as nossas comunidades, pois não queremos perder o vínculo com nossos povos, nem
com a luta geral do movimento indígena.
QUEREMOS A REVERSÃO da língua limitada dos que falam do
indígena como bicho, animal sem alma, coisa medíocre, preguiçoso, sem entender
que o índio tem muito a dizer e a ensinar..
Ser índio é ser guerreiro, persistente e nunca desistir, é lutar sempre, e a cada dia descobrir uma nova estratégia de sobrevivência.
Nós queremos que as pesquisas e os projetos de
extensão sejam utilizados em benefício de nossos povos e por isso percebemos a
importância da nossa participação na formulação e execução desses projetos.
Estudantes Indígenas PATAXÓ,
PANKARARU E XUCURU-KARIRI.
PET-COMUNIDADES INDÍGENAS.

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