Nessa sexta-feira em sua mensagem de natal para os católicos, o Papa condenou mais uma vez o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A igreja com a sua leitura e interpretação das palavras da bíblia, condena e absolve comportamentos e pessoas desde que o mundo é mundo. De enforcar em praça pública, queimar na fogueira e condenar o amor entre pessoas, o que mudou realmente no discurso da igreja?
O direito ao livre modo de amar, de sentir afeto e de ter relações sexuais, se for de consentimento de ambas as partes, não configurando opressão, violência ou abuso, deve ser o direito de todo o cidadão, sem chances de ser questionado, regulamentado ou legislado por nenhuma instância de poder, muito menos o da igreja, essa deve ser a condição básica de garantir a paz para toda a humanidade: tornar o direito ao amor um direito sagrado, inalienável e defendido por toda a população, pois onde existe a restrição desse direito, existe a guerra.
Quando o estado abre brechas para que a opinião de qualquer religião vire pauta política, como recentemente o projeto do deputado federal goiano, João Campos (PSDB), que tem como relator o deputado federal e pastor, Roberto Lucena (PV - SP), além de romper com o princípio de laicidade do estado, ele está assumindo para si, enquanto política de estado, o posicionamento de uma religião dentre uma diversidade de religiões, de fé e até de não fé existentes no Brasil.
É impossível defender que abraçar o posicionamento religioso enquanto estado traga algum benefício para a sociedade, pois ao ignorar a diversidade de pensamentos religiosos e assumir pra si, enquanto parlamentar, a defesa de uma religião, o estado democrático de direitos sai perdendo, assim como a possibilidade de discutir a vida em sociedade de forma livre e sem dogmas, pois o compromisso do estado em organizar a vida em sociedade é com a paz e o bem estar de todos e não deve servir jamais para prestar conforto a uma determinada linha de pensamento de qualquer religião que seja.
A igreja ao condenar uma forma de amar e de se relacionar, ela alimenta o discurso do ódio, infla os fiéis contra uma parcela enorme da população, alimenta teses antigas e ultrapassadas que põem as relações homossexuais na categoria de doença, retarda a possibilidade da sociedade conviver com respeito, entendendo que ninguém precisa aceitar ninguém, mas que para se viver de forma harmônica, a humanidade precisa exercer suas relações com respeito e dignidade e mais, a igreja se torna uma das responsáveis pelas estatísticas assombrosas de números de assassinatos de pessoas homossexuais no mundo todo!
O Brasil é um dos países campeões em mortes de homossexuais, trata-se de extrema violência contra a uma parcela enorme da juventude brasileira que sofre com o preconceito da família, da escola, do trabalho, do estigma midiático e dos olhares condenadores de todos os homofóbicos que não entendem como é violento tirar o direito do outro de amar de forma livre. Nessa sexta-feira, na minha mensagem de natal, eu condeno o papa pelas centenas de mortes de jovens homossexuais no Brasil.
Em nome da paz, do amor, do respeito, da fraternidade, da igualdade e da convivência pacífica e tolerante entre as pessoas, que o direito ao amor seja direito constitucional, divino e sagrado.

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