As propostas de ACM Neto para o Centro Histórico de
Salvador, difundidas durante a campanha demonstraram nitidamente que haverá a
manutenção do modelo paternalista e excludente iniciado pelo seu avô. Exatamente
o mesmo projeto que foi levado a cabo durante os 8 (oito) anos da gestão
desastrosa de João Henrique Carneiro.
O plano de ACM Neto para o Pelourinho divulgado entusiasmadamente
como “choque de arrumação”, limita-se a limpeza de ruas, melhoria da iluminação,
colocação da Guarda Municipal de maneira ostensiva e presente, implantação de
câmeras de vídeo-monitoramento, e outras ações que visam, basicamente, garantir
a segurança para turistas e visitantes.
Na prática, trata-se de continuar apostando no modelo retrógrado de ocupação para a região, que ao longo do tempo tem se tornado um fardo pesado para os cofres públicos, além de fomentar a marginalização da população residente e a diminuição da dinâmica da região.
João Henrique, ACM Neto,
ACM Jr. e Edivaldo Brito anunciando em 10 de agosto de 2009, R$ 20 milhões (oriunda
do Governo Federal) para ações de infraestrutura no Pelourinho: desperdício de
recursos públicos.
O Pelourinho não é mais aquele, olha a cara dele...
O processo de restauração idealizado e conduzido por
Toninho Malvadeza decorrente do reconhecimento da região do Centro Histórico de
Salvador como “patrimônio cultural da humanidade”, expulsou o contingente
populacional que ali residia para locais periféricos com clara intenção de
oportunizar o estabelecimento de empresários num verdadeiro shopping center
étnico-cultural a céu aberto. O sonho durou muito pouco. Tal processo de
realocação dos moradores, bem como a falha nos projetos de intervenção no
Centro Histórico com enfoque na mudança de uso - de habitacional para comercial
e cultural, acabou por destruir a dinâmica e a vida habitacional do bairro,
provocando um esvaziamento e exigindo a continua injeção de recursos por parte
dos órgãos públicos, em subsídios às diversas atividades culturais
‘artificializadas’ para manutenção do movimento de pessoas no local.
O Pelourinho como centro
de compras para turistas e visitantes: projeto falido de ACM
Desde o início do processo de decadência no final
dos anos noventa até os dias atuais, as tentativas de soluções apresentadas
pelos prefeitos (Imbassay e João Henrique) podem ser resumidas em sucessões de
ações paliativas que visaram mascarar o aprofundamento dos problemas produzidos
pelo bizarro ACM, que culminaram no atual estado de:
- Subaproveitamento
do potencial econômico e simbólico dos sítios históricos para a geração de
renda, novos empregos, agregação social e identitária.
- Crescimento
urbano desordenado que favoreceu as ocupações irregulares e outras ameaças
de descaracterização do patrimônio protegido.
- Infraestrutura
urbana precária com carência de saneamento ambiental, transporte,
mobilidade e habitação social, fatores que aceleram o processo de
degradação do patrimônio cultural.
- Risco de
arruinamento dos imóveis protegidos.
- Subutilização
ou inutilizarão de grande parte dos bens de valor cultural.
A luta entre os interesses dos velhos donos da Bahia
e do povo que reside no Pelourinho ainda deve persistir por longo tempo.
A tendência é que ACM Neto aprofunde ainda mais as
ofensivas em prol da “limpeza étnica” da região através de atuações
dissimuladas já iniciadas por JH, como o aumento do efetivo policial visando
elevação do grau de repressão, diminuição da oferta de serviços básicos como
transporte público, creches e postos de saúde, perseguição das famílias que
fazem uso da função social de prédios abandonados (evitando a ligação
alternativa de água e luz), entre outras ações. Tais medidas servem ao caráter genocida,
fascista e segregador do Projeto de Reforma e Recuperação do Centro Histórico
de Salvador, cujo único fim foi a inserção do capital de consumo, sobretudo
estrangeiro no local e a exclusão das “memórias indesejáveis”, esculpidas em
sua maioria por pobres e negros. Um projeto que deformou e destruiu toda a
essência histórica da comunidade do Pelourinho erigindo lojas e restaurantes
sobre o esfacelamento de vidas humanas e de tradições culturais.
*Julliano Ribeiro é estudante de Engenharia de Produção da UFBA e militante do PT.
*Julliano Ribeiro é estudante de Engenharia de Produção da UFBA e militante do PT.

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